sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cookie Cup

A Cookie Cup é uma síntese divertida dos hábitos culinários italianos. A xícara para o café é, na verdade, comestível substituindo infalíveis bolachas. O café ao balcão transforma-se desta forma, numa esperiência inédita. Sendo também conhecida por ter colaborado com o famoso cozinheiro espanhol Ferran Adrià, a equipe do Training Centre Lavazza que a concebeu inventou uma receita para a massa tenra da parte exterior, revestida por dentro de um vidrado especial de açúcar e goma arábica, capaz de resistir a altas temperaturas. O famoso logotipo azul da Lavazza encontra-se nela estampado numa hóstia. A xícara, confeccionada pelo chefe do café oficial da empresa em Turim, a partir do desenho de Enrique Luis Sardi, foi vencedora do prêmio Lavazza no concurso Food Design Torino 2003. A Cookie Cup é um exemplo de design sustentável, pois dispensa a fabricação de uma xícara convencional e a posterior lavagem da mesma, que responde de modo original às tradições cotidianas.


Design: Enrique Luis Sardi para Lavazza (Itália)
Protótipo
Mais informações: http://www.lavazza.com/

Marbella


Os produtos demano já são objetos de culto a nível internacional, contribuindo de modo criativo para a sensibilização do público, sobretudo jovem, para as temáticas ambientais. Criada em Barcelona em 1998, a demano foi uma das primeiras empresas verdadeiramente atentas às problemáticas ecológicas. Observando a grande quantidade de cartazes publicitários expostos naquela cidade, três senhoras brasileiras tiveram a idéia de produzir bolsas, utilizando retângulos coloridos de PVC. Após o sucesso obtido com os primeiros modelos, acrescentaram-se novos materiais, entre os quais as sobras das firmas têxteis locais, guarda-chuvas velhos e poliéster, ou seja, todos aqueles materiais que de outro modo teriam como destino as lixeiras. Por meio de formas sedutoras e hábeis combinações de cores, a demano conseguiu dar vida a uma linha expressiva de acessórios de concepção ecologicamente sustentável.


Design: Meck Osten para demano (Espanha)
Onde encontrar: www.demano.net/

Bendant Lamp



Talvez não haja idéia mais inteligente do que fazer com que o usuário de um produto possa ser seu co-criador. As finas "pétalas" deste candelabro em aço reciclado, de aspecto dinâmico e leve, podem ser dobradas como se desejar para que o produto adquira a forma pretendida. A sua inclinação pode ser alterada sempre que se quiser, criando a cada vez novos jogos de luz e sombra. O candelabro é sustentável em todas as suas fases de existência. Desde a confecção em aço reciclado, que é cortado a laser, de modo a reduzir ao mínimo o desperdício de material, e pintado com corantes ecologicamente compatíveis. Passando pelo tansporte, a embalagem é bidimensional e ocupa pouco espaço (o produto vem em forma de uma lâmina de aço), até ao "descarte", as partes são fáceis de desmontar e estão prontas para a nova reciclagem.


Desing: Jaime Salm para Mio (Estados Unidos)
Onde encontrar: www.mioculture.com/

Ori.Tami


O Ori.Tami é um exemplo de como o design se torna ecológico quando cria objetos versáteis e multifuncionais, embora recorrendo a materiais não sustentáveis. O nome deriva da combinação das palavras japonesas "origami" (dobragens) e "tatami", o típico tapete sobre o qual se estende o futon, para dormir. Com poucos e simples gestos, o pequeno colchão básico transforma-se em chaise-longue, sofá ou cadeirão, conforme a necessidade. A sua estrutura é feita de aço cromado, enquanto o estofo é de espuma de poliuretano, e o revestimento de lycra, com as partes de contato e de dobragem particularmente reforçadas. A redução de volumes na fase de transporte - o Ori.Tami é empacotado como um pequeno colchão - é mais um fator a favor da sustentabilidade deste produto.
Design: Giuliano Manzoni para Campeggi (Itália)
Onde encontrar: www.campeggisrl.it/

Local River


Inspirando-se nos Locavores, um movimento californiano que incita o consumo de alimentos exclusivamente locais e, por conseguinte, sempre frescos, o Artistis Space propõe, com Local River, um aquário com estufas sofisticado e provocatório, destinado não tanto à decoração, como seria de se esperar, mas à criação de plantas e peixes para consumo da casa. O funcionamento do Local River não necessita de intervenções externas. A relação que se estabelece entre o sistema vegetal e o piscícola cria um biótipo auto-suficiente: o nitrato existente nos dejetos dos peixes serve de adubo para as plantas, que por sua vez atuam como um filtro, mantendo a água limpa. O desenho atraente, por um lado, e a economia resultante da criação doméstica, por outro, poderão fazer esquecer o uso insólito deste aquário.

Design: Mathieu Lehanneur em colaboração com Anthony Van Den Bossche do Artists Space (Estados Unidos)
Protótipo

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Embalagem do Mate Leão Orgânico

A tinta de impressão na embalagem do chá teve sua quantidade reduzida em 90% em relação à anterior. A maioria das tintas de impressão contém metais pesados que contaminam o solo ou inviabilizam a reciclagem. Por isso quanto menos tinta melhor, mas sem atrapalhar a comunicação e a identificação do produto como se pode ver aqui. O papel é 100% reciclado na embalagem do produto, sendo 30% reciclado pós-consumo. As caixas utilizadas no transporte do produto são feitas com papelão certificado pelo FSC.


Design: Santa Clara, São Paulo, SP.
Produção: Coca-Cola Brasil.

360º Paper Water Bottle



No mundo há cada vez mais pessoas que consomem água engarrafada. O impacto ambiental aumenta desmedidamente, tanto em termos de exploração dos recursos hídricos como de produção massiva de embalagens de plástico. Os dados são claros: em 2006, só na América foram produzidos 2,7 milhões de toneladas de garrafas PET, 4/5 das quais acabaram nas lixeiras. A Brandimage enfrentou o problema, propondo uma garrafa inteiramente em papel. A embalagem múltipla que a contém é composta de fibras de bambu e folhas de palmeira, prensadas juntamente com uma fina folha de PLA que a torna impermeável. A 360º Paper Water Bottle é um produto sustentável porque não minimiza o impacto ambiental só depois da inutilização, mas também durante a produção: etiquetagem, por exemplo, faz-se apenas por pressão, sem recorrer a tintas.

Design: Jim Warner para Brandimage - Desgrippes e Laga (Estados Unidos)
Protótipo
Mais informações: www.brand-image.com/

Crocs



Por vezes não é o material que faz com que um produto seja ecologicamente sustentável, mas a sua utilização ou mesmo sua reutilização. É o caso do calçado Crocs, totalmente confeccionado em Croslite, uma resina patendeada e desenvolvida para este fim. Através de um programa especial, a firma produtora, a Soles United (Estados Unidos), recolhe os sapatos usados e os reutiliza como matéria-prima para uma nova produção de calçados, que por sua vez é distribuído nos países em via de desenvolvimento. Quanto a sua utilização é um calçado versátil, podendo também ser usado no inverno com a simples aplicação de um forro apropriado. São leves, resistentes, anti-odoríferos, estão disponíves em várias cores, e respodem às necessidades de conforto e saúde dos pés. Para limpar basta usar água e sabão.

Onde encontrar:
www.crocs.com.br/ e em diversos estados brasileiros, só não possuem lojas em Acre, Rondônia, Roraima, Amapá e Mato Grosso do Sul.

Sandálias Dopie



Do fabricante, Terra Plana (Reino Unido), a sandália Dopie é uma sandália de dedo, que por si só é uma forma de calçado reduzida, foi reelaborada e ainda mais simplificada em seus componentes principais, presilha e sola. A sola com uma dobra protege e bloqueia o pé. A presilha, item opcional e voltado para usuários iniciantes do produto, está inserida em dois cortes existentes na sola, deste modo a reciclagem dos componentes torna-se mais simples. As Dopie são confeccionadas usando o mínimo de recursos naturais e em material reciclável, o acetato de vinil ou EVA, além do velcro, que serve para ajustar a presilha. A redução dimensional executada nesse projeto reduz o gasto de combustível na hora do transporte.



Onde encontrar: http://www.terrapla.com/

Desenvolvimento Sustentável e Ecodesign



Muito se tem falado sobre Desenvolvimento Sustentável, Sustentabilidade e Ecodesign, e por isso, algumas vezes esses termos são usados de maneira errada. Então para início de conversa, acho importante tratar aqui esses conceitos.

A definição mais aceita para Desenvolvimento Sustetável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. Foi usada pela primeira vez em 1987, no Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pela Naçoes Unidas, com o objetivo de harmonizar desenvolvimento econômico e conservação ambiental.

A Sustentabilidade se equilibra sobre o seguinte tripé: aspectos econômicos, aspectos ambientais e aspectos sociais. É errado usar expressões como sustentabilidade social ou sustentabilidade ambiental, pois estaremos sendo redundantes.
O Ecodesign, segundo Manzini, é uma atividade de design que visa ligar o que é tecnicamente possível ao ecologicamente necessário, de modo a criar novas propostas cultural e socialmente aceitáveis. O projeto de um produto a partir desse enfoque leva em consideração todo o seu ciclo de vida (do berço ao túmulo), analisando em cada etapa os seus potenciais impactos ambientais, visando minimizá-los. Para o Ecodesign não basta apenas que sejam criados produtos mais adequados, segundo o ponto de vista ambiental, é necessário que estes sejam atrativos para o seu públíco e economicamente viáveis de serem produzidos.